Turnê 2005
Data
Cidade
Evento
Local
Jul-Ago/2005
França - Alemanha
       
Turnê 2004      
Data
Cidade
Evento
Local
09/07/2004
Direct Tv Hall
30/05/2004
Salão do E.C. São José
       
Turnê 2003      
Data
Cidade
Evento
Local
13/07/2003
??
12/07/2003
Show Tuatha de Danann
Blackmore´s
       
       
 

Varginha - São Paulo - Amsterdã - Paris

Bruno Maia: Pois é, tava todo mundo na seca pra chegar logo essa data. Enfim, seria nossa primeira marcha pelo Velho Mundo; que “doidera”!!! Nos acompanhava nessa turnê o Tassio Maia e chegamos ao aeroporto de Guarulhos na noite do dia 7 de Julho com as malas abarrotadas de camisetas da banda. Estávamos todos apreensivos porque justamente no dia em que embarcamos rolou aquele atentado em Londres, e toda a Europa estava em “alerta vermelho”.
Todo mundo ansioso, na expectativa pra encarar 14 horas de vôo, e conexão em Amsterdã. No avião foi aquela “viagem”, “forando” o medo...
Chegamos a Paris, nem me lembro a hora, e eis que nos surge aquela figura bizarro-cômica, um misto de guerreiro gaulês, “headbanger” e “Hell’s Angels”: Phillipe (um dos caras da Underclass, nosso selo francês). Mal sabíamos que ele se tornaria nosso melhor amigo europeu, o motorista da tour francesa e, talvez, o cara mais “figura” da Europa (certamente é o cara mais Metal do mundo... A casa dele parece a própria “sede” do Wacken - copo, tapete, toalha, pôster... tudo!). O jantar foi com a galera da Underclass e, inicialmente, rolou uma certa dificuldade de comunicação, pois eles não são muito fluentes no inglês.
Nos dividimos em 2 grupos: Bruno, Berne e Giovani pra um lado, Rodrigo, Edgard e Tassio pra outro. Teríamos 5 dias pra conhecer Paris, entre seções de autógrafos, entrevistas, programas de rádio (e chamam isso de “day-off”!). Na primeira noite em que saímos, a primeira visão muito louca foi um corvo num poste, grasnando, parecia o do Poe “Nunca mais!”. Visitamos o que foi possível, pois afinal não estávamos em férias e tínhamos compromissos profissionais...

De Paris para a encantadora região da Bretanha

Na quarta-feira, 13 de julho, embarcamos com Phillipe “Crazy-Driver” e Jérôme, o “tour manager”, pra rasgar pra Bretanha, a região celta da França que eu mais ansiava em conhecer...
As estradas são ótimas, mas cheias de pedágio e as paisagens são lindas (a Bretanha parece um sonho)... E então chegamos a Saint Brieuc pra fazer um “show case” e nem supúnhamos o que poderia ser isso mas não passava de uma sessão de autógrafos numa das lojas de CDs da rede “LP Records”. Fizemos um set só com instrumentos acústicos. Não tinha batera, nem teclado... o Rodrigo e Edgard tocaram só meia lua, e o tal do “show case” era em frente à loja.. Muito louco!!! Nos sentimos como aqueles peruanos que tocam música inca aqui no Brasil; mas foi algo diferente. Em Languidic é que rolaria um show de verdade, acústico, no mesmo dia. Antes do show foi difícil engolir uma comida típica da região... o sabor não era ruim, mas o cheiro...
Era um feriado bretão e rolava uma festa tradicional, ao ar livre. Primeiro tocou uma banda local, Shadyon, muito legal por sinal. O som estava perfeito (desta vez tudo plugado com teclado e bateria), e fizemos um grande show. Foi nossa primeira manifestação real em terras celtas. Todos gostaram, e o curioso era que a platéia, por ser uma festa tradicional, estava cheia de velhinhos, crianças uniformizadas (que dançaram em todas as nossas músicas) e claro a galera Rock e Metal. Depois do show a criançada toda juntou na gente pra pedir autógrafo. Foi muito bom e, pra finalizar, rolou uma banda de música tradicional bretã, tocando só peças tradicionais, com aquelas danças em espirais, rodas imensas, e a gente lá no meio... Depois tocaram umas coisas Pop, até que mandaram Festa no Apê... Sério!!! Fomos embora pro hotel...
Que hotel “da hora”! No meio do mato, parecia a plantação da ‘Colheita Maldita’... E a gente lá, esperando algum espírito ou duende aparecer. Até que tivemos que pegar a estrada de novo.
Já no dia 14 estávamos em Brest, uma cidade litorânea da Bretanha. Este também seria um show acústico num pub irlandês, junto com o Shadyon. Aí foi aquela coisa toda de sempre, comidas diferentes (a peãozada de Varginha só dando pala pra comer), gole à vontade e tudo mais. O problema é que nesse pub tinha um controlador de volume; e quando a gente empolgava (o Bezerrão descia a mão na batera) o controlador sumia com o som... Que caretice! Queríamos fincar pedra naquele trem, mas foi legal!! Vendemos muitos CDs, camisetas e brincos de pena. O mais louco, é que na Bretanha, por ser uma região céltica, a galera pirava nos sons, e todos falavam que soávamos mais verdadeiros que muitos grupos locais... Aquilo era um ópio pra nós!!!
No dia seguinte, 15/07, seria o primeiro show elétrico, mas antes teríamos outro “fantástico” show case, em Hennebont, uma vila medieval, mas pulemos... Este show elétrico foi cruel (com o Shadyon também). Era em Le Sourn na estrada perto de Pontivy, ainda na Bretanha. Quem já leu “On the Road” (Jack Kerouac) e assistiu aos filmes de David Lynch, talvez imagine o que era esse bar... Muito legal!!!! Descemos a laje, e o povo pirou...
O promotor na Bretanha, era um cara muito simples, da roça mesmo, muito humilde, quase não falava nada, mas gente fina. Só, que tinha uma cara de doido (doido mesmo), e uma expressão que a gente pirava... Nós o chamávamos de “o loco do machado”. E na última data da Bretanha, dormimos na casa dele, que é no meio do mato, com uma igreja do século XIV na horta (acho que é por isso que ele é assim)... Demais!!!

De Tours até a volta a Paris

Rodrigo Abreu: Chegamos à cidade de Tours e fomos direto para o auditório da faculdade (Faculte dês Sciences Parc Grandmont), onde seria o show.
Durante a montagem dos equipamentos eu e o Tassio estávamos ao lado do auditório e ouvimos uma voz feminina, falando em português. Aquilo era animador depois de tanto francês e inglês. Era a nossa intérprete, Karen, que mora lá há três anos.
O show de Tours foi diferente dos demais, eram 2 em 1: às 20:30h começava o acústico, às 22:00h seria uma entrevista com a platéia, onde entrava o trabalho da Karen, e às 22:30h o show elétrico.
Aguardávamos o horário de início ao lado do estacionamento dos funcionários e, para se distrair, o Giovani e o Berne tiveram uma daquelas brilhantes idéias “jozelitas” de pular a porteira do estacionamento sem usar as mãos... Não deu outra, o Giovani errou o salto, tentou se segurar e só escutamos o grito: “filho da p....” Ele tinha acabado de torcer um dedo da mão, isso 15 minutos antes de começarmos a tocar. Mesmo assim ele foi pro sacrifício.
Começamos a tocar o acústico, o público estava meio acanhado nas primeiras músicas, mas o Bruno fez a platéia se desinibir. Eu olhava para a cara do Giovani e ria porque, mesmo nas partes calmas do show, ele tocava fazendo muita careta, o público com certeza estava achando que ele estava “dibuiando” mas a verdade é que ele sentia muita dor. Terminamos essa parte acústica com a platéia bem agitada, isso era animador. Logo na seqüência a simpática Karen subiu ao palco para começar a entrevista. Surgiram várias perguntas, mas um momento marcante foi quando alguém perguntou se conhecíamos algum compositor francês. Então o Edgard mostrou sua grande cultura musical e demonstrou que não só conhecia vários, como tinha predileção pelos trabalhos de alguns. Citou Hector Berlioz, Camile Saint-Saens, Claude Debussy e Erik Satie. E até tocou um trecho da obra de Satie, uma de suas Gnosiennes, a de número 1, que descreve os caminhos pelo labirinto do minotauro, na perdida ilha de Creta. Isso fez com que o público pirasse... Acabando a entrevista fomos para o camarim nos prepararmos para o set elétrico. E o Giovani continuava reclamando de dor... Como o público já tava aquecido ficou tudo mais fácil, eles vibraram muito da primeira até a última música. Recebemos aplausos eufóricos ao término das músicas. E no final do show demos muitos autógrafos... Esse reconhecimento era a maior recompensa para a banda, saímos de Tours com a consciência tranqüila de missão cumprida, e muito bem cumprida. Lá pelas 00:30h caímos na estrada, onde enfrentaríamos a viagem mais longa e cansativa da França, cerca de 10 horas de viagem até Marselha.
Chegamos por volta das 11:00h da manhã, totalmente destruídos, direto pro hotel, onde descansamos até 5:00h da tarde. Em Marselha tivemos uma ótima recepção, como em toda a turnê pela França e, pra variar, mais baguete e cerveja quente no jantar. Depois de conhecermos as bandas que iriam tocar com a gente, montamos nossas coisas e voltamos pro hotel para dormir mais um pouco. O Tassio e o Jérôme ficaram na casa de show para montar o merchandise. Já chegamos dormindo no hotel, de tanto “prego”, iríamos tocar por volta das 10:30h da noite, e não programamos o despertador. O motorista Phill Crazy-Driver também estava “pregado” dormiu e não conseguiu acordar. Eu e o Bruno acordamos em cima da hora, mas não sabíamos qual era o quarto do motorista e não tínhamos como localizá-lo. O Giovani conseguiu ajuda, apesar da dificuldade de se fazer entender em português, e usou o celular de um hóspede para chamar o Phill. Três minutos depois desce o Crazy-Driver com a maior cara de sono e pedindo desculpas... Mas, pra sair do hotel com a van o portão era acionado com senha, que o Crazy-Driver não tinha... Mais um tempo perdido pra resolver a parada e chegamos ao local do show praticamente na hora de tocar. O Tassio e o Jérôme estavam apavorados com nossa demora...
Começamos a tocar e a galera agitou do começo até o final. Dava para notar no público várias camisas da banda, e muita gente que já sabia cantar nossas músicas, isso pra nós era “bão demais”, depois de tantos imprevistos encerramos o show com sucesso absoluto. O mais animador era saber que teríamos dois dias para descansar.
Naquela noite fomos para os bares de Marselha pra comemorar. Lembro-me de que estávamos num bar de frente para o mar Mediterrâneo e que fui ao telefone ligar para o Brasil. Foi quando vi o Giovani correndo de uma mulher estranha (tipo “micróbia”). O que estava acontecendo era que a mulher arrumou uma confusão, por causa da nossa cerveja, que quase virou escândalo. Filmamos essa parte e colocamos o nome de “A Perseguição”, depois de muito custo ela foi embora.
No dia seguinte prosseguimos viagem rumo a Grenoble, essa foi a parte mais bonita da viagem, quando passamos pelos alpes franceses. Chegando em Grenoble encontramos a Elody (a cantora que fez participações nos shows de Grenoble e Paris com a música Abracadabra). Depois fomos direto para a FNAC, onde tocamos um set acústico por uns 40 minutos, a platéia era na maioria de Rock e mesmo os curiosos curtiram bastante.
A banda da Elody abriu o show de Grenoble naquela noite, e logo em seguida subimos ao palco, e deu pra perceber que o público que estava à tarde na FNAC também compareceu à noite, até mesmo os curiosos que pareciam não conhecer Rock. Mais uma vez o show foi ótimo. Depois do show nos serviram um magnífico jantar, macarrão à bolonhesa. Pelo menos dessa vez a baguete era apenas um acompanhamento. Após o jantar fomos para a casa da Elody onde comemoramos o show da noite.
Na manhã seguinte, 21/07, seguimos viagens para Reims, e fomos direto pro lugar do show. Seria um dia cansativo porque iríamos tocar e viajar logo em seguida para Paris. Quem não estava muito bem nesse dia era o Berne, ele estava meio que passando mal, e ficou o show inteiro acanhado, diferente do seu dia a dia normal, pois ele é sempre engraçado... Mas tudo bem, ele se recuperou.
Na sexta-feira, dia 22, logo depois de acordar fomos para a casa de show La Scène Bastille. Lá havia muita menina de 15 - 16 anos todas produzidas. Ficamos sem entender se já era para o show da noite. Entramos na casa e descobrimos que aquele alvoroço era por causa da gravação de um clip de uma banda Pop da França. Mas quando avisaram isso o Berne já tinha entrado na área da gravação, e eles continuaram a filmar até notarem um cabeludo de preto, no meio de todas aquelas meninas produzidas. Pararam a gravação e convidaram o Berne a se retirar. Isso foi motivo pra muita risada. Nesse dia a equipe da gravadora Underclass estava toda conosco nos camarins. Demos várias entrevistas para a imprensa local. O show estava “sold out”, e já com a casa lotada a primeira banda começou a tocar. O som e a iluminação eram excelentes. Depois, a segunda banda entrou no palco, e em nossa homenagem eles tocaram com as camisas da seleção brasileira, muito massa! Em seguida subimos ao palco com o público todo incendiado desde o começo, parecia até os shows no Brasil. A maioria já sabia cantar nossas músicas, mas, pra “zuar” o barraco logo na terceira música a guitarra do Bruno estraga a tarraxa, e não tínhamos instrumentos reservas. Aquilo foi dando um estresse, até o guitarrista da banda anterior emprestar sua guitarra. Continuamos o show até o fim sem mais nenhum imprevisto. Tivemos duas participações especiais nesta noite, uma foi a Elody e a outra, como sempre, o Phill Crazy-Driver. No final ficamos contentes e tristes ao mesmo tempo. Felizes por ter encerrado mais um show com sucesso absoluto, e tristes por terem acabado nossos shows na França. Saímos com o Lionel da Underclass e toda a equipe para um pub comemorar a tour da França.”

Da França para a Alemanha - Paris, Frankfurt, Aschaffenburg até Hamburgo

Giovani Gomes: Depois do show no La Scène Bastille, tivemos a semana realmente livre para conhecer pontos turísticos de Paris, inclusive o cemitério Pierre Lachese, onde Jim Morrison, Oscar Wilde, Chopin, Balkzac, Alan Kardek e outras personalidades estão sepultadas, e a região do Moulin Rouge (zona do baixo meretrício parisiense). Tentamos ver tudo que desse tempo, às vezes cada um saia para um lado diferente. Foram dias que curtimos com muito vinho e cerveja da melhor qualidade - só esses dois últimos itens já dariam uma “má téria” à parte - e baguete pra variar. À noite aproveitávamos para conhecer alguns pubs, a essa altura o inglês já estava fluindo legal, principalmente depois de umas “brejas”. Via-se gente de todo lugar do mundo, muita mulher bonita, uns visuais muito loucos, enfim, muita informação e intercâmbio cultural para a cabeça. Não só a platéia em Paris, mas os parisienses em geral pelo menos os que conhecemos, não eram tão frios como algumas pessoas haviam falado. Todos foram muito educados e receptivos conosco.
Na quinta-feira partiríamos para Aschaffenburg, na Alemanha, às 17:00h, mas não foi o que rolou. Perdemos o trem por causa do tráfego. O motorista da van, o Crazy-Driver, que parecia o Asterix, saiu no gás, mas mesmo assim chegamos uns 5 minutos atrasados. Tínhamos muita bagagem, as mochilas eram enormes, e ainda com ferragens de bateria, barracas, etc. A partir dali éramos somente nós cinco e o Tassio na “camelagem”. Carregar essa tranqueira de um lado pro outro foi embassado. Esperamos o próximo trem, que sairia às 22:00h, o clima na estação estava tenso, com muitos policiais fortemente armados, correndo de um lado pro outro. Então, o Bruno e o Berne pegaram os violões e ficaram fazendo um “blues” e o tempo passou mais rápido. Chegamos a Frankfurt de trem na manhã de sexta-feira. Catamos a “tranqueirada” e encontramos o Hansi, o cara que nos deu suporte na Alemanha. Fomos pra casa do Hansi em Aschaffenburg e, como a esposa dele é brasileira, tinha arroz e feijão (que maravilha!!). Eu nem dormi, fui direto pra cozinha preparar um “rango” à mineira. Em questão de comida, mulher, futebol, clima e público Metal o Brasil é o melhor lugar do mundo, mas a cerveja deles não tem comparação, muito encorpada e não dá ressaca. À tarde visitamos um castelo “antigaço” e, em seguida, fomos para o local do show, a Colos-Saal. Casa cheia, som paulada, fizemos um show de uma hora e meia, o público agitou e até arriscou cantar umas partes, muita gente já conhecia o som, pra nossa surpresa. Depois tocou uma banda de Metal bem conhecida por aqueles lados, Minotauro, bem louca, rola uns teatros, luta de espadas, muitas máscaras e tal.
O “trash” mesmo foi o que aconteceu depois. Tínhamos um show em Hamburgo no dia seguinte, só que para chegarmos até lá precisaríamos fazer cinco mudanças de trem, com intervalos entre cinco, dois minutos e até vinte segundos de um pro outro. Isso o Hansi não tinha nos falado... Seria impossível fazer uma mudança de um trem para o outro em 20 segundos, ainda mais com aquela “montoeira” de bagagem. Então ele e a esposa, solidários com nossa situação, resolveram ir com a gente para o Metal Bash em Hamburgo. Foi a parte mais difícil da viagem, já não dormíamos há dois dias e não podíamos dormir, pois perderíamos o trem. Não dava nem para revezar na soneca, porque nem sempre caíamos (literalmente) nos mesmos vagões e o trem não esperava um segundo sequer. Esta situação e o cansaço causaram uns estresses na galera, mas “belê”, tudo se resolveu. Na última mudança já estávamos profissionais, nem a equipe do Schumacher seria tão rápida. Chegamos como zumbis. A van do festival nos levou ao local do show e já eram duas da tarde. Um espaço aberto, som violento, estava tocando uma banda de meninas do Japão e éramos então os únicos “gringos” por lá. Do resto eram só bandas alemãs. Imploramos por uma hora de sono, mas não rolou. Fomos direto para o palco, as mãos tremiam devido a tanto cansaço, mal parávamos em pé após mais de dez horas de viagem. Mas depois da primeira música já era. O público alemão delirou, dançaram em rodas e bateram cabeça. Na seqüência fomos para a banca de autógrafos, conhecemos uma galera enorme, e a essa altura ninguém mais pensava em dormir. Havia ainda muitas bandas para se apresentar. Montamos nossas barracas e fomos pro abraço. Valeu o “trampo”! “The delirium was just beginning”!

Hamburgo - um lugar sagrado para o Rock - Wacken a Meca do Metal

Rodrigo Berne: No começo da tarde do domingo, dia 31, saímos do acampamento do Metal Bash Festival e nos instalamos no hotel Seemanns Mission, em Hamburgo, onde ficamos à espera das equipes da Roadie Crew e do Programa Stay Heavy, que chegariam na Alemanha no dia 2 de agosto para ir ao Wacken. O Seemanns Mission não poderia ficar num lugar melhor: está na região do porto de Hamburgo, próximo aos pubs e clubes por onde passaram bandas das mais famosas do mundo e estávamos hospedados a 50 metros do “Headbanger’s Ballroom”, um dos principais bares de Metal da Alemanha. Mas no hotel também havia um ótimo bar e nos sentíamos em casa.
Passamos uns dias recuperando as energias, jogando ping-pong ou fazendo jams no bar do hotel com algumas figuras pitorescas que lá apareciam.
O tempo estava horrível, só chovia, nem parecia verão. Esperávamos que o pessoal chegasse ainda de dia, mas quando já achávamos que tinham nos esquecido em Hamburgo eis que chega todo mundo, por volta das 22:00h. O Vinicius, a Cintia e o Patrick, todos com câmeras na mão, estavam filmando tudo, e o pessoal da Roadie Crew fotografando... Era flash pra todo lado... Finalmente todo o grupo estava junto. Mudamos então para hotel onde toda a comitiva da Roadie Crew estava hospedada, o Meridién Stillhorn, que fica um pouco afastado da área urbana de Hamburgo, e é um sossego completo.
O pessoal recém chegado do Brasil estava muito curioso sobre a nossa turnê, e passamos dois dias lembrando e contando as aventuras vividas nas semanas anteriores. Saímos também com o grupo para visitar o Star Club e o Kaiserkeller, lugares famosos por fazer parte da história dos Beatles.
No dia 4 pela manhã partimos para a cidadezinha chamada Wacken (2500 habitantes), 50 km ao norte de Hamburgo, onde viveríamos uma experiência que vai ficar marcada na carreira do Tuatha de Danann. Estávamos lá para tocar no Wacken Open Air.
Logo após recebermos as credenciais fomos para a área do festival e foi grande a emoção de ver os palcos, os 4 palcos, foi demais... A estrutura do festival é a prova de que, sem dúvida, a Alemanha domina o Heavy Metal.
Nos instalamos no acampamento da área VIP, onde ficam artistas, imprensa e convidados especiais. Montamos as barracas e fizemos a primeira visita ao backstage, quando reencontramos nossa “crew” da parte francesa da turnê: o Jérôme, o Phill Crazy-Driver, e o Gilles.
A partir daí, foram três dias convivendo com a nata do Metal, e tomando uma cerveja que era ótima... Além disso até os copos lá são valorizados, se você não guardar como souvenir, pode trocar por mais cerveja, como sempre fazia o Giovani... Na noite de sexta-feira nos preservamos e evitamos exageros na festa permanente que é o backstage do Wacken.
No sábado, dia 6, ao meio dia estávamos prontos para o show, tranqüilos, realmente sem preocupações. Todos perguntavam “você não está nervoso?”, eu respondia, “faço isso há uma década, o que você acha?”. Quando subimos ao palco para tocar eu não acreditava no que via, era muita gente, muita gente mesmo... Isso foi emocionante e fizemos meia hora de uns dos melhores shows do Tuatha... parecia o nosso público do Brasil, eles cantavam, pulavam, faziam roda. Após o show ninguém conseguia tirar o sorriso do rosto, foi uma benção...”

Saldo final da turnê

Edgard Britto: Estar na França e Alemanha para a primeira tour internacional do Tuatha de Danann seria um grande momento na carreira da banda e a chance de conhecer de perto um pouco da riqueza cultural e histórica da Europa.
Logo em nossa chegada na França, Paris nos deslumbrava: era a cidade que confirmaria aquilo que sempre estudei nos livros - Paris, A Cidade dos Artistas. Pude sentir no ar a fragrância de toda uma história de expressão cultural e artística, além das batalhas e revoluções que ali transformaram o mundo.
Mas Paris era só o começo da nossa jornada. Um grande diário poderia ser escrito sobre nossos shows e as situações que encontramos em cada cidade, tocando para um público sempre receptivo e muito curioso. Música Celta do Brasil. Isto parecia muito interessante e, ao mesmo tempo, estranho para aqueles que nos viam pela primeira vez.
A magia da França ia de encontro com a nossa proposta musical. E resultava em “pinceladas precisas e encantadas” de sons que contagiavam as pessoas que compareciam às nossas apresentações. Tanto as crianças e adultos, como até os idosos.
A paisagem de cada lugar, os castelos que nos impressionavam pelo caminho, tudo era combustível para que os próximos shows se seguissem mais preciosos e furiosos. Saindo de Paris, passando pela Bretanha e pelo sul da França, o público sempre se revelava atento, dançando e batendo palmas com nossa música. A banda estava a mil, muito entrosada e com uma adrenalina impressionante.
Trocamos experiências com várias bandas. As comidas típicas também nos marcaram muito. Às vezes aprovávamos o cardápio local, mas em outras não dava para engolir... Enfim, da comida brasileira talvez tenha sido a primeira grande saudade que sentimos... Só nós sabemos o que foi isso!
No aspecto cultural éramos saciados com facilidade. Num dos primeiros dias da turnê estávamos em uma cidade linda chamada Aix-en-Provence e caminhávamos em uma das ruas centrais, quando notei bem na minha frente a casa do grande pintor Paul Cezanne, do movimento impressionista do início do séc. XX. Em outra rua, a referência era Saint-Saens, uma homenagem a um dos maiores compositores franceses do final do romantismo...
Sentíamos que estávamos fazendo parte daquele mundo de Arte de verdade... Estávamos diante de provas materiais da existência daqueles artistas e idealistas que revolucionaram nossa história. Era como se estivéssemos revivendo parte da história e, o mais impressionante, levando a nossa música para aquele ambiente.
Gostaríamos que cada segundo ficasse registrado, mas certamente ficará na nossa memória, será tudo inesquecível!
Em Reims encontramos a monumental Catedral Gótica Flamejante. A majestosidade de sua construção nos deixou estupefatos. Ficamos pasmos diante daquela exuberante arquitetura medieval. Impressionava saber que na Primeira Guerra Mundial aquela igreja quase foi destruída por completo, mas foi restaurada nos mínimos detalhes. Era como se o tempo jamais houvesse passado para aquela igreja.
Em Paris tivemos a oportunidade de visitar diversos lugares, mas o que mais me impressionou foi a Catedral de Notre-Dame, onde pude assistir a um estupendo concerto de órgão...
Já na Alemanha, com a passagem rápida por Aschaffenburg, mal tivemos tempo de prestar atenção no que estava à nossa volta, só pudemos ter contato com a cultura alemã quando chegamos a Hamburgo onde pudemos ouvir música típica alemã e visitar um aconchegante pub irlandês, onde quase piramos nos “wistles”, violinos, banjo e percussão. Descobrimos também uma loja de instrumentos típicos antigos. O que nos chamou a atenção também em Hamburgo foi ouvir no metrô a soberana música dos mestres alemães Bach e Beethoven, ressoando em todos os ambientes das estações e até nos trens. Tudo natural, perfeito...

 
 
 

Essa foi a quarta vez que estivemos presentes no festival. O show foi meio corriqueiro pela excesso de bandas, mas deu tudo certo... as pessoas gostaram.

Juntamos as tralhas na casa do Rodrigo Abreu e socamo-as na Van, nosso principal meio de transporte para shows. Atrasamos algumas horas para sair de Varginha (para variar), mas depois foi só alegria. Durante a viagem escutamos muito metal e rock e falamos muita prosa ruim, principalmente os roadies Batata e Julio, que no fundo sonham montar uma dupla sertaneja (há, há).

Foi fácil chegar ao lugar do show. O dia estava escurecendo e o show prometia. Tivemos alguns problemas de alojamento e camarim, pois a organização queria que ficássemos boiando no lado de fora. Então cada uma foi para um canto: o Bruno foi para casa da muié dele, os rodies e mais o Brazuzan (Monstrão) foram para Tatiana e o Giovane, o Rodrigo e eu fomos para casa da irmã do Giovane.

Quando faltava uns 10 minutos para o show, nos concentramos no camarin (até que em fim) e trocamos os últimos detalhes. Passamos algumas vozes, tomamos a última e fomos para o palco.

Durante o show tinha um pessoal na platéia curtindo muito e tinha um pessoal que estava um pouco cansado, mas participavam do show. Os fãs que estavam na minha frente ficavam gritando para min aumentar a guitarra e depois fiquei sabendo que a guitarra estava desligada no PA (Há, Há). Deu tanta coisa errada que quando terminou o show eu queria me esconder. Bom, mas de qualquer forma, valeu mais uma vez galera de SP e região pela presença.

Postado por: Rodrigo Berne

 
 
 
Então, esse foi o show que tirou nosso atraso, fazia muito tempo que a gente não tocava (pois no Roça´n´Roll não conta pois tocamos sem teclado e no cangaço 5 músicas). Todos nós viajamos na secura pra descer a laje no palco, até por que também nunca tínhamos tocado em São José e também por ser o primeiro show da volta do Edgar Britto (teclado) conosco. Há um tempo atrás ele já havia tocado no Tuatha.

No caminho foi aquela coisa toda, garrafas de goró muendo a van (só que nada de cachaça, só vinho), e a gente morrendo de rir dos roadies (Julio e Batata). Chegamos meio tarde por que além de ser longe de Varginha, choveu pra caralho no caminho.

Mas beleza, quando chegamos foi foda porque tanto o Mad Dragzter e o Tiger Cult já haviam tocado, e eu estava muito a fim de ver essas bandas. Mas deu pra ver o Andralls (que foi muito louco!).

Antes do show estávamos no camarim do local trocando idéia com a galera das bandas, sempre naquela prosa ruim, que é sempre muito legal.

Bem, o nosso show foi praticamente o set antigo, com uma nova música apenas, “Bella Natura”, e lógico o Neil Young. Demos só um tempo pros roadies e nosso técnico arrumar tudo e iniciamos com “Dance of The little ones” e já deu pra ver a recepção muito massa da galera, cantando o refrão, agitando e outros dançando, emendamos em “Battle Song “ que a galera bradou muito alto o refrão e arregaçou.

Foi muito legal sacar que o público em peso conhecia nossas músicas, e nos deixou muito a vontade em cima do palco. Tocamos então “Tan Pinga ra tan”, que sempre é um dos pontos altos do show e já rasgamos “ The bards of the infnity” e depois “US”, então foi a vez do novo som ter sua aurora e tocamos “Bella Natura” que é a música de abertura do Trova di Danú. Foi muito positiva a reação do público, até por que esta é a musica típica do Tuatha de Danann, alegre, cheia de whistles e muita piração, foi demais!!!

Então foi a reta final do show, tocamos “Brazuzan” e depois “Tingaralatingadun”. Demais!!! Aí pra casa vir abaixo anunciei “Finganfor” (que sempre é pedida desde o começo dos shows) e foi violento!!! A última música própria que tocamos foi “The last words” (creio que nossa música mais conhecida) e sempre é muito legal ver a expressão da galera (nos poucos momentos que eu abro os olhos no Show) nesta música.

Então já era o final, e chamamos o Julio pra pegar minha guitarra e tocar conosco a mais que clássica “Rocking in the free World” do mestre Neil Young, credo em cruiz, essa é foda!

Logo o show acabou e aí fomos continuar a embriagues sagrada e falar com a galera (muito gente fina) que lá ainda estava. Agradecemos ao Édio pela atenção. Foi muito louco!!!

Postado por: Bruno Maia

     
 

Um dia depois do show no Blackmore(SP) rumamos já a noite pra Jundiaí, que rolou num Domingo. Chegamos lá por volta das seis e meia da tarde e o local estava cheio, já tinham mais de 600 pagantes, e isso me surpreendeu, pois como não conhecia a cidade pensei que teria muito menos pessoas devido a não ser capital, mas normal...

Fomos pro camarim e muita gente já cercava o lugar pra tirar fotos, pegar autógrafos e conhecer a banda de perto. Foi muito legal a recepção da galera e nos motivou muito a fazer um grande show.
Depois de algumas cervas de alguns bons vinhos locais e uns lanches, os roadies já subiam pra passar o som e deixar tudo pronto pra gente tocar. Nessa hora o camarim já estava cheio de fãs e permaneceria assim até depois do show.

De última hora os roadies nos avisaram que não tinha cd player, então não ia rolar a intro da "Brazuzan" e então resolvemos abrir de cara com "Dance of the little ones" e juro, foi animal!!!! A galera pulava muito e cantou a música inteira junto comigo, foi demais.... Arrepiava...

Emendamos com "Brazuzan" que todos cantaram também e "Tan pinga ra tan" que é sempre ótima a recepção da galera. Foi a hora de mandarmos uma acústica, e ela foi "Us" pra dar um clima... e chegou a hora de emendarmos 3 músicas novas uma atrás da outra...e a galera gostou muito...as músicas estão muito boas. Chamamos então a "fada brasileira" para cantar conosco "Abracadabra" e foi muito legal ver a cara do público nessa hora. Depois começou o baixo do Giovani puxando "Batlle song", aí o bicho pegou: a galera bradava o refrão muito alto. Pra não perder o pique já grudamos pra quebrar tudo com a "The last Pendragon" e "The bards of the infinity"... puta merda, a galera é cruel...

Então chegou a grande hora do show.Há quase um mês estavamos recebendo vários e-mails pedindo para não deixarmos de tocar "Be hold the horned king" ...e puta que pariu,o que a galera aprontou foi demais!!!! Valeu a sensação...

Já chegava nos finalmente então tocamos o nosso "hit" "Finganfor". Lógico que a galera pirou, gritou, dançou e tudo, demais!!! Emendamos na outra fudida "The last words" muito bem recebida...e no final o Julio nosso roadie pegou minha guitarra, a Isabel voltou ao palco e tocamos a quebradeira "Rocking in the free world"(Neil Young)... nessa música rola uma energia na banda meio dionisíaca e não tenho palavras pra descrever o quão é brutal tocá-la...

De volta ao camarim, mais cerveja, vinho e os organizadores pediram 10 pizzas pra gente...o camarim virou uma zona, dava gosto de ver o local e nossos roadies, Julio e Batata, comendo: credo em Cruz...
No mais foi isso, esse show eu adorei ter feito...a galera de Jundiaí e das cidades vizinhas que compareceram foram muito calorosas e nos animaram muito... os únicos pontos negativos é que não rolou de assistirmos nenhuma banda e o som podia ser melhor, mas na real foi animal!!!
Valeu galera...

Postado por: Bruno Maia

 
 
 
Esse dia foi legal, pois programamos pra sair de Varginha às 7 da manhã tentando chegar cedo em SP pra passar o som legal(já que iríamos gravar esse show). É óbvio que atrasamos e saímos quase 9 horas, mas isso é normal.

Depois que chegamos, comemos alguma coisa e fomos passar o som, correu tudo bem(até porque quem ficou no som pra nós foi o Paulo Anhaia). Mas vamos direto ao que interessa...

Quando voltamos ao Blackmore devia ser já meia noite e a casa já estava lotada...foi muito louco ver aquela renca esperando o show começar.

Antes de entrarmos colocamos o clip de “Dance of the little ones” só pra aquecer e depois entramos de cara com "Brazuzan". A galera cantava tudo!!! Em seguida emendamos com “Some tunes to fly”, que fazia quase mais de um ano que não a tocávamos e foi muito louco.

O show seguiu normalmente, tocamos neste primeiro set ainda “Tan pinga ra tan", "Battle song", "Faeryage", "Us", "Imrahma" e duas músicas novas: "The land’s revenge" e outra ainda sem nome....

Demos uma pausa pra descansar e tomar umas... Em seguida voltamos de cara com “Dance of The little Ones...” aí a galera pirou...

Emendamos, então, numa música que só recentemente temos tocado e é com certeza a música que mais está tendo resposta:"Behold the horned King". Foi demais essa hora!!! Então fizemos nossa homenagem a George Harrison tocando "While my guitar gently weeps"... Então foi só alegria, tocamos outra nova "Spellboundance"(que é muito bonita).

Só pra quebrar tudo emendamos as duas músicas mais porrada da banda "The last Pendragon" e "Bards of the Infinity", a galera trincou....

Então tocamos o nosso hino "Finganfor", sem comentários quanto a participação da galera nessa, e logo a outra adorada "The last words"....muito louco!!!

Pra fechar então fizemos a quebra tudo "Rocking in the free world" do Neil Young e nós piramos...foi muito louco esta noite, só temos a agradecer a galera que compareceu em peso neste dia(valeu mesmo), à diretoria do bar e ao Vitão Bonesso.

Postado por: Bruno Maia